terça-feira, 18 de dezembro de 2018

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE UM VAZIO





Uma meticulosa educação em um rosto esvaziado de expressão.

1. Vai para lá porque tem de ir. Simplesmente vai. Não lhe importa o preenchimento do tempo - em verdade não se ocupa em pensar sobre isso. Sempre o mesmo tédio, nem inquietante, nem irritante, nem nada, apenas o mesmo tédio desde sempre.

2. Faz cumprir rigorosamente o que mandam, pois não manda. Não lhe cabe mandar - um verbo sem sentido possível -, apenas faz, executa.

3. Não possui sonhos e projetos, posto que, sendo seus - o que já não encontra brecha de sentido -, automaticamente tornam-se agressões aos que mandam.

4. Tão protegido que foi, transformou-se em corpo que não deseja. Mandam, ele cumpre.

5. Uma projeção mortífera do desejo de quem o protege em excesso. Um mausoléu vivo e andante, reparador de objetos perdidos de quem manda para proteger. Fotografia da perfeição ilusória de quem o fez, que não se fez.

Fazer-se é arrebentar a redoma protetora de quem manda.

Difícil sustentar o lugar analítico de quem não manda...


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34).

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