quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O MUNDO COMO MAL



Se, de acordo com a questão de Schopenhauer, o Mundo é Vontade, esta então deve nos conduzir à um oceano de sofrimentos. O Mundo aqui, pode ser considerado como o Mundo Humano, criado à nossa imagem e semelhança.
A Vontade é indicativo de necessidade - o Desejo -, que pretende abarcar um "tudo" sempre maior do que sua capacidade. O homem é assim: um desejo satisfeito cria uma infinidade de outros negados. O Desejo nunca se satisfaz, pois nada é tão fatal para o Verbo do que sua realização.

"É como as esmolas dadas a um mendigo, que o mantêm vivo hoje para que sua miséria seja prolongada amanhã."

O homem é disruptivo por natureza, pela natureza criada pelo homem. O homem é consequência de conflito, eternamente... A Vontade é faminta, eternamente...

Para nosso depressivo filósofo, a Vida é má porque a Dor é o seu estímulo e sua realidade fundamentais.
O Mundo cria a necessidade, para que esta, impossibilitada de ser satisfeita, gere mais necessidade, em um contínuo imperceptível à Consciência. O homem deve, e às vezes "quer" permanecer no campo da ingenuidade, pois esta é uma trégua no sofrimento. A Ilusão é o reboque do cotidiano e a marca d'água do Quotidiano - nosso status quo.

"Se fizéssemos um homem ver claramente os terríveis sofrimentos e misérias a que sua vida está exposta constantemente, ele ficaria horrorizado."

Nosso "viver" depende de não o conhecermos bem demais, de mantermos uma distância segura - escudo que esconde as mazelas de nós mesmos. Portanto, criamos o Otimismo - "uma zombaria amarga das desgraças do homem".

O homem foi aperfeiçoando "sistemas" de vida que, como brincadeiras de gosto duvidoso, atrofiam a Natureza.

A Vontade é um dos mais importantes instrumentos dessa tentativa de dominação da Natureza. No Mundo contemporâneo, a Vontade gera uma abominação denominada Individualismo.
EU quero, independentemente das circunstâncias que meu "querer" pode gerar no Outro.
Nada importa além de EU quero...
EU quero o que a propaganda me mostra, apesar de não perceber meu "querer" criado.
EU quero ser a "celebridade" criada e sustentada por minhas insatisfações, frustrações, recalques e auto-flagelamentos. EU quero sentar no teatro, se possível sozinho, para sozinho e midiaticamente ser mostrado para o mundo, para o Outro, assistindo o show do "Rei" - um rei deposto, pois feito sob medida por e para minhas ilusões.

Enfim... Apesar de não muito animador, o Mundo para Schopenhauer é um suspiro dentro de um suspiro.

Ironicamente, nosso filósofo desejava secretamente ser celebridade, sentar sozinho no teatro a zombar da ignorância do Mundo.

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