segunda-feira, 26 de agosto de 2013

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: MÃE FILHA DA MÃE



O que pretendo desenvolver aqui encontra-se inserido no campo-relação Mãe/Filha, regido pela lógica do que vou denominar de "Dupla Castração".

"Ando engolindo muito sapo!!!"
Uma terrível dor de estômago a se estender por todo o abdômen. Uma mistura de má digestão com traços mnêmicos de gestação, ambas carregadas de ambivalência afetiva.
Entenda-se: a lembrança afetiva não se faz passado; o que se lembra, se lembra agora, através do percurso afetivo. A memória é sempre do "neste instante em que me recordo" - desenvolvimento de "Lembranças Encobridoras" (Freud, 1899).

"Estamos sempre a discutir no mesmo assunto: mimo, invasão, interesse econômico... Onde foi que eu errei?!? Sei que eu errei?!?"
Erro e Culpa pelo Erro, facetas do mesmo lastro de ter sido mãe de uma menina. O Erro e a Culpa aqui, são ilusões defensivas, representações a esconder a fragilidade de se ser castrada.
A ideia de um frágil feminino castrado também é uma ilusão imposta pelo processo de familiarização do lugar de se mulher no Real produtor da lógica sócio-cultural do Mundo Humano (esta nossa tão estranha casa).
A mãe se esquece com facilidade de que também foi/é filha da mãe - uma absurda "Dupla Castração" que só terá o destino alterado por um filho homem... Ilusão sobre Ilusão: o Absurdo Humano. A cura encontra-se no processo de desiludir.
"Onde foi que eu errei?!?" se faz "Onde foi que eu ME errei?!?", em uma sequência de projeções carregadas de horror e ternura: no amor da mútua necessidade da relação; na destrutividade da mútua invasão no e do corpo da outra.
Já diz o dito popular: "Filho de peixe, peixinho é..." (peixinha, no caso).
Duplo mimo, dupla invasão, duplo interesse, dupla falta de tudo, "Dupla Castração".

Lembro de Guillermo Del Toro... Assistindo "Mama" (Andrés Muschietti, 2013) - produzido por Del Toro - chamou-me a atenção a mistura perfeita entre horror e ternura. Fui me dando conta que tudo o que assisti de Del Toro contém a mesma mistura, em dose perfeita. Fiquei a pensar se não existe uma intenção de representar a "Dupla Castração"... Guillermo Del Toro foi criado pela avó...

(recado na secretária eletrônica)
"Hoje não vou... Meu coração está estressado!!!"


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

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