quarta-feira, 26 de junho de 2013

DESCONSTRUÇÃO E CONSTRUÇÃO: O POSSÍVEL DO IMPOSSÍVEL



Para fora do Campo Transferencial, os conceitos psicanalíticos esvaziam-se em sentido. Torna-se perigoso, posto o engessamento produzido no pensamento clínico - esta arte/ficção do impossível -, a generalização de pressupostos teóricos que tendem à um autoritarismo interno do próprio ato interpretativo: acaba-se encontrando exatamente o que já se estava a procurar.
A ideia de que "há uma causa a produzir um certo efeito" pode ser fatal, caso seja voltada à realidade e não à verdade transferencial. Na verdade transferencial temos apenas "coisas que levam à coisas" (não importando a definição de "coisa" - ideia perdida num mar imenso de possibilidades).
Não é fácil a costura de retalhos, ora apreendidos aqui, ora acolá. Manter-se flutuante, como estrangeiro, é exercício difícil, contrário ao homem do quotidiano.
Desiludir-se de um saber completo é uma sina cruel à positividade imposta pelos discursos científicos, mas muitas vezes, não psicanalíticos.

A ideia de "A mãe ausente", por exemplo...
Ausente como? Ausente onde? Ausente afetivamente? Ausente fisicamente? Há a tendência de "A mãe ausente" ser "A mãe culpada". O sentimento de culpa, muitas vezes, através de refinados processos civilizatórios, incluindo interpretações analíticas, verdadeiramente criam a "ausência". Talvez onde se vê "ausência", deveria se ouvir "falta de fala", na impossibilidade de expressão afetiva.

A desconstrução de certos conceitos, principalmente na clínica, como possibilidade de construção de "outra coisa diferente do mesmo", pode fazer toda a diferença. E, é sempre bom lembrar, é do sofrimento do outro que se fala - é do sofrimento do outro que se trata!!!

Impossível? Creio que não... Mas um exercício difícil!!!


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