quarta-feira, 13 de março de 2013

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: MAAT & O SAGUÃO DAS DUAS VERDADES



No Egito Antigo, na época conhecida como Império Novo (de 1550 a 1070 a.c.), proliferou-se uma fórmula de sucesso para o além-túmulo denominada "Livro Dos Mortos". Tal livro de auto-ajuda era encomendado pelo vivo com o propósito de ajudar o futuro defunto em sua viagem pela eternidade, incluindo técnicas e atalhos para alcançar-se a felicidade eterna - uma verdadeira saga, repleta de aventuras, digna dos games contemporâneos.
Na rota final, chegava-se no julgamento do falecido. No Saguão das Duas Verdades o morto era conduzido por Maat, a Deusa da Justiça, à uma balança, onde seu coração seria auferido. O candidato à Eternidade faria então, um longo discurso, declarando os motivos pelos quais detinha o direito de tal felicidade. Se o coração, ao ser posto na balança, pesasse mais que a Pena de Avestruz (símbolo da Verdade), o declarante, infelizmente, seria entregue à Ammut, o Devorador dos Mortos, como prato principal de um banquete sem fim - já que não se morre duas vezes.

O Senhor Coelho Branco vive a correr, com seu enorme relógio de bolso, sempre com pressa, sempre atrasado - participante de uma maratona sem fim. Completamente perdido e um tanto quanto letárgico, provavelmente em função de algumas garrafas de vodca para esquecer o que já não se lembra mais.
A correria é tamanha, que já não tem lugar o Senhor Coelho, perdeu a postura e a compostura para consigo. Quem é o Senhor Coelho Branco? Já não se sabe mais!!!
Imagino que o Senhor Coelho seria bom prato para Ammut...

Nestes nossos tempos de corre-corre, às vezes é de bom tom pararmos para refletir para onde estamos indo, botar na balança nossos medos e nossas possibilidades para que a Pena de Avestruz nos mostre se realmente estamos fazendo nosso viver valer à pena. A sobrevida pertence à escuridão de Ammut.

Bem... Como não sou nem egípcio e muito menos tenho afinidades com Ammut, prefiro mandar o Senhor Coelho Branco ir pentear macaco, trocar a garrafa de vodca por uma boa taça de vinho, trocar paqueras com Maat e, sentado confortavelmente em minha varanda, de bermuda e chinelo, fazer e ver a vida passar do jeito que minhas possibilidades permitem, buscando não a felicidade eterna, mas a tranquilidade agora.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

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