sábado, 12 de maio de 2012

L'ADVERSAIRE



Jean-Marc é uma mentira ou uma verdade absoluta? Difícil de dizer.

Um homem acima de qualquer suspeita ou uma criatura cercada por olhos surdos e ouvidos cegos?

"L'adversaire" é assim... Um filme destes que se propõem a virar o espectador do avesso - navalha na carne da alma.


M. Faure, talvez, apenas revele certa particularidade do mundo contemporâneo - não, isso não é uma crítica. Um mundo que é e se faz assim e pronto. Feito pronto. Ponto final.

Talvez, revele-se um pouco do Jean-Marc em cada um de nós; o revela o mundo que nos faz recriar o contemporâneo em nós.

Um mundo vazio, apático, desesperador, angustiante por si.

Um mundo que cria pressão e faz personificar-se um personagem a viver no limite de uma lógica delirante.

Ser... Ter... Representar... Conquistar... No fundo da alma, talvez verdadeiramente amar e ser amado.

Mas o que tem é um Faure amarrado à um sistema restrito de representação - possibildade restritiva de não possibilidades.

Quando estoura, arrebenta, diante do confronto de ruptura do delírio. À possível revelação de certa realidade, a destrutividade impera - vira imperativo absoluto.


Aqui não temos a história de Jean-Marc Faure para nos assegurar. Só nos seguramos de um Faure que, de repente, se faz assim.

Covarde? Corajoso?

Não temos em que nos assegurar... Temos apenas Jean-Marc e seu mundo. Temos apenas um aparte do homem e de seu mundo - nós.


A interpetação de Daniel Auteuil é um espetáculo à parte - magnífica!!!


Fica a sugestão para quem aguenta ver as vísceras do homem postas para fora.

O ADVERSÁRIO (L'adversaire)
França (2002)
Direção de Nicole Garcia
129 min.

  

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