sexta-feira, 11 de novembro de 2011

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: A FRESTA




Entre o Eu e seu Mundo, o psiquismo tenta criar uma ligação perfeita: sou Eu e pronto; este é o Mundo e pronto.
Mas no esforço da função Crença em propiciar uma Rotina que disfarce a suspeita, há sempre uma brecha, uma fresta, por onde escoa o surgir do Absurdo, o próprio Homem Psicanalítico.
Uma palavra esquecida, um sonho, uma falha de memória, um comportamento estranho ao nosso habitual, cria este espaço no qual sentimos algo um tanto quanto esquisito. Algo de descontínuo em nosso ato de pensar Eu e Mundo. Algo que rompe com o absoluto de nossas certezas, expectativas, esperanças.


Você me entende?” – assim, inúmeras vezes, Sonia questiona o que é do incompreensível, algo que se perdeu inesperadamente, algo investido com carne de Sonia, com jeito de Sonia. Não escolhemos a maneira pela qual nos encontraremos com o Destino.
Está vendo meu tênis? Ele representa meu último ano...” – Um tempo entregue à doença do ente querido. Tênis gasto, Sonia gasta. “Odeio você por enxergar estas coisas!!!
Ali, os leitos vagam depressa. As pessoas chegam para morrer. O lugar é até bonito!!!” – Ali, na desesperança.
Ao fim de um encontro com o Destino, Sonia perdeu o Fim – por cansaço, cochilou na hora da partida. “Não consigo mais dormir...
Um cochilo de tirar o sono desta Sonia, para o resto da vida desta Sonia. Um cochilo que reinveste o não sepultamento do Objeto amado, pois é de Amor que se trata aqui.
Estou fazendo algumas coisas por mim... Mas é difícil não pensar, estancar o pensamento, fazer ele sumir...” – Há um tempo para Sonia cansada acordar do cochilo. Mas há a possibilidade de na fresta dos olhos cochilantes, acordar Sonia outra.

Não escolhemos a maneira pela qual nos encontraremos com o Destino... Mas também não conhecemos os infinitos caminhos até Ele.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34)

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