quinta-feira, 9 de julho de 2009

CHOCOLATE

Ao assistir o Filme “Chocolate” (Direção de Lasse Hallström, EUA, 2000), fiquei me perguntando: Qual seria o segredo das receitas dos chocolates da jovem mãe solteira Vianne?

O Chocolate, diz a experiência de quem já experimentou (se é que existe alguém no Mundo que ainda não tenha tido essa tântrica experiência), nos leva à uma espécie de nirvana dionísico.
Representante de prazeres, atualizador de um agora infantil, eliciador de traquinagens enlambuzadas, o Chocolate nos captura intensamente. Pois afinal, Quem saboreia Quem? Nós o Chocolate ou o Chocolate a Nós?

No filme, de extrema sensibilidade, os chocolates de Vianne vão transformando as estranhas figuras de uma pequena Cidade rural da França. Com sua loja bem em frente da Igreja local, as receitas milagrosas vão provocando rupturas na repressão daquelas pessoas – autômatos em busca de um sentido para além de suas íntimas e secretas angústias.

Mas e Vianne, nossa heroína que vai para onde o Vento do Norte soprar?
Vianne, esperta em acertar a receita individual e sob medida para cada angústia - numa espécie de antídoto contra a mesmice -, no fundo também está em busca de si mesma. Tentando encontra-se em seus chocolates e nos segredos dos que ajuda. Tentando reescrever, através da relação de amor e culpa com sua filha de seis anos, a própria história da não raiz, do não lugar.

Eis, talvez, o segredo das receitas de Vianne – colocar-se e buscar-se em seus chocolates, reconhecendo a incompletude de Ser.

3 comentários:

  1. A dificuldade estava em fazer um "remédio de chocolate" para si mesma então?

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  2. Vianne sem querer querendo mudou a rotina do lugar e das pessoas. Contagiou a todos. O prefeito, rígido e fiel ao cumprimento de regras da moral e dos bons costumes, quanto mais resistiu mais se entregou ...
    A interpretação da mesma forma que o chocolate, pode ser extremamente doce, amargo, meio-amargo ou exótica como a mistura de chocolate com pimenta, dependendo da situação e da relação estabelecida. Mostra outras possibilidades de existir, sentir ... A sensação é inebliante e causa bem-estar até a próxima vez, ansiosos para experimentar novamente. Brilhante questionamento: “Quem saboreia quem?” ... Somos na maioria chocólatras assumidos ... Hummmm ... que venha a próxima interpretação...

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  3. Incrível seria se o "antídoto contra a mesmice" fosse encontrado em uma bela vitrine de uma loja charmosa de chocolates, mas ao mesmo tempo... porque não? Conseguimos complicar a simplicidade, nos cegamos em frente a realidade da complexidade do que o simples pode ser, nos trazer e fazer...
    Seguimos em busca de algo tão longe... que ás vezes está tão perto...

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