segunda-feira, 18 de maio de 2009

PENSANDO O PENSAMENTO: EUS EM MIM


O Pensamento, indiscutivelmente, é uma legítima produção do Psiquismo.


Normalmente funcionando no automático, o Pensar inicia-se como forma defensiva contra nossas frustrações cotidianas: pensamos “certo” ou “errado”; justificamos nossas culpas e nossos méritos; projetamos no Outro e reagimos instantaneamente a essa imagem de nós mesmos; reprimimos nossas formas preconceituosas ou argüimos nossos pré-conceitos; confundimo-lo com o Raciocinar; e mais algumas bateladas de coisas que poderíamos acrescentar a uma lista que tenderia ao infinito.


Mas, questiono-me: Para além do automático, será que usamos com precisão e aproveitamento o Pensamento?


Se aprofundarmos a questão, partiremos do princípio que o Pensamento é, antes de tudo, um diálogo interno entre Eus que coabitam o espaço em Mim.


Em um sentido psicanalítico, este diálogo interno que gera o Pensar, deveria produzir um desencontro, uma ruptura de sentidos possíveis em uma espécie de rodopio e crise de desconstrução.


Desencontro, Ruptura, Rodopio e Crise Desconstrutiva que, para além de uma função meramente defensiva contra representações destoantes e dissonantes do Eu Cotidiano, nos pouparia de negligenciar energia psíquica em discursos sofistas ou tautológicos.
Pois que no desencontro de meus Eus encontro meu possível; na ruptura de meus sentidos, surge o inesperado em mim (essa eterna aventura de e do Ser); no rodopio que me desconstrói, apresentam-se novos ângulos possíveis de e para minhas formas de olhar.


Portanto, não maltratemos mais o Pensamento... Pensemos antes em “curá-lo” de certa psicopatologia do automático.

5 comentários:

  1. Ola Mister Soriano!
    Poxa meu caro, estavas a atualizar meu azedado Yorgut. me transeuntei para esse blog.

    Pooo gostei, este post de hoje me lembrou um cara que gosto demais.. Edgar Morin o que falaste sobre o pensamento me remeteu a duas frases dele que para mim foram fundamentais...

    "Saber pensar significa, indissociavelmente, saber pensar o próprio pensamento" Edgar Morin

    "O único pensamento que sobrevive é aquele que se mantém na temperatura de sua própria destruição". Edgar Morin

    Abraços parabens pelo Blog.!

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  2. Engraçado é que "embaixo" de todos estes Eus falantes, comunicação infinita entre vários pensamentos, sempre há um "não-pensamento" estruturante que vem do inconsciente. Quando ele finalmente aparece no discurso, fruto de muita análise, percebe-se que ele sempre esteve lá. Foi formulado e formado num passado distante. Ele é a raiz e os pensamentos entre os vários Eus são os inúmeros galhos ou talvez as folhas da mesma árvore.

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  3. não mal-tratemos o pensamento. tratemos-o.

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  4. Conflitemos, Inhauser!! braço

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  5. O automatismo é cômodo pois requer distanciamento mental e emocional, pois o contrário implica no enfrentamento de dores, medos, incertezas de existir ... Entrar em contato consigo requer conscientização em busca de mudança de vida. O ganho virá, mas não se pode querer colheita farta se o solo não for semeado ... Dói e é preciso resistir e verbalizar ... pois aonde não tem sentido vai se fazer Destino.

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