sábado, 21 de março de 2009

POR UM POUCO DE (des)ILUSÃO...


Pois que te peço... DESILUDA-ME!!!

Receba-me assim, despretenciosamente, como a quem recebe um estranho conhecido. Que não sejas capturado por meus gestos... nem por minhas "caras e bocas"... nem por minhas histórias!!! Que prestes atenção em minhas entrelinhas... Para que leias o estrangeiro que há em mim... Estes vários... Estes que desconheço!!! Estes que existem para além do que me aprisiona... me conserva rigidamente como me conheço, por e para o Outro.

Acompanha-me depois entre meus caminhos, que insisto em não reconhecer... Crendo serem desconhecidos, onde apenas não sei que sei de mim!!! Pois que não duvides... Resisto a saber!!!

Interpreta-me... Rompa com o conservadamente conhecido!!! Arranca-me deste Eu que não sou... Nunca fui!!! Pois que assim me apresento para Estes diferentes... Representações outras... Possibilidades outras!!! Pois que no rodopio angustiante da desilusão de mim mesmo, me faço mais Eu do que nunca experimentei... Simplesmente por poder ser vários!!!

Portanto te peço,

DESILUDA-ME

Para que, transitando livremente por Estes que sou, possa ter um pouco de ILUSÃO... Neste mundo tão sem-sentido de si... Neste Mundo tão sem-sentir!!!

4 comentários:

  1. veja só...
    na passagem em que você escreve "rompa com o conservadamente conhecido!", eu li no "CONSERVAR" a palavra "CONVERSAR". este romper que você menciona me fala também do rompimento do "CONVERSAdamente conhecido", da conversa quotidiana que se conserva para não-ser; da ladainha que a poucos aporrinha, dessa rinha dum mundo tão sem-sentir.

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  2. Por um pouco de (des)ilusão.

    Recebe-ME sem preconceitos, que necessito entregar-me totalmente, indefeso que sou...
    Acompanha-ME naquilo que não me sei. Não me deixe só e se perca comigo...
    Interpreta-ME: faça a maiêutica de minhas idéias, de meu Ser para que eu possa aparecer no seu falar...
    Desiluda-ME: Talvez eu vá para meu verdadeiro e camuflado EU ou perceba que nunca existi realmente...

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Marcos, Parabéns por mais essa lindíssima "poesia psicanalítica" do viver ... extrema sensibilidade do artista psicanalista que percebe, sente e faz fazer sentido as cores, tons e matizes de tanta existência ... inconsciente da dupla ... um grito de olhe-me, ajude-me e desiluda-me ... Pois como você mesmo nos ensinou no nosso querido grupo de estudos: "A psicanálise é a precisa ciência da desilusão e desiludindo ela cura (Fabio Herrmann)".
    Obrigada por Receber, Acompanhar, Interpretar e por que não, desiludir tão bem, com firmeza e carinho de amigo-analista.
    Brigadúúúúúúú
    Sara

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