sexta-feira, 27 de março de 2009

CRÔNICAS SOBRE O DISFARCE: O DRAMA

O Humano possui uma estranha paixão pelo Disfarce.
Se a Vida é um DRAMA,
Ela o é pela meticulosidade daquilo que criamos... Um Disfarce Dramático.
Solipisista por natureza, o Disfarce Dramático dá voltas em torno do próprio umbigo.
Mas o que é o umbigo, a não ser o ponto de partida daquilo que somos?!? A ruptura da confortável posição do não-existir!!!
Então vivemos...
Vivemos por termos saudades do tempo em que não éramos.
Se o Disfarce Dramático revela o Equívoco do Humano, o revela através de uma Repetição de queixumes... Repetição de carência e solidão... Saudade de um tempo em que a queixa não se fazia sentido.
A Queixa, a porta-voz do Disfarce Dramático, estanca a possibilidade de disfarçar-se diferente, trancafiando o Ser em um movimento circular em que o Passado é posto num Re-memorar e não num Com-memorar.
Eis a possível lógica do Discurso Dramático: o Rememorar solitário, sem a possibilidade de eco no Outro... O Gozo de um queixume no vazio... Sem diálogo interno... Apenas monólogo.
A Ruptura do Campo do Drama, muitas vezes encontrado nos sintomas neuróticos, não é trabalho fácil. Particularmente acredito no fazer gastar-se o discurso, desbastá-lo lentamente. Como um artesão a trabalhar a madeira primitiva, com carinho e paciência, a Escuta vai por si só abrindo espaço para a interpretação do monólogo queixoso do Drama... Onde o diálogo talvez possa vir a ser e a ter existência, e o Disfarce tome o rumo de uma Fantasia de Carnaval.

Um comentário:

  1. "O mundo inteiro é um palco, e todos os homens e mulheres são apenas atores ... Um homem representa muitos papéis em sua vida" (WILLIAM SHAKESPEARE)

    Excelente conceito para a Teoria dos Campos.
    Lembro-me de um dos nossos inesquecíveis encontros do grupo de quarta, na qual nossa amiga Silvia brilhantemente disse: "A realidade é um grande baile de máscaras". É verdade. Quando não nos especializamos em uma (patologia), saímos de casa cada vez com uma para cada ocasião ... De repente até podemos nos deslumbrar com a descoberta de uma nova cor (que não estava lá ou que não fora notada), uma pluma, paitês ... e se caminha para a cura à medida que con-vivemos com nossos vários Eus.

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