sábado, 21 de março de 2009

ANALISTA: Astronauta, Estrangeiro, Transeunte


O Analista é um ASTRONAUTA, como em "Jornada nas Estrelas", deixando que seu divã passeie por onde a Psicanálise não parece estar, descobrindo/interpretando novos mundos, novas civilizações... Para além da compreensão cotidiana e rotineira das coisas. O cotidiano e a rotina escondem lógicas outras, lógicas emocionais a serem interpretadas no Universo de Possibilidades de Ser.

O Analista é um ESTRANGEIRO, convidado a viajar por Terras distantes da habitada por ele, escutando línguas outras que não a de seu domínio (se é que existe domínio sobre o discurso). Tendo como bússula as ressonâncias de seu próprio Ser, ouve no silêncio do que não é dito, as cores das palavras... Pois as palavras possuem cores e a Alma Humana produz sons coloridos através do toque sutil dos desdos do interpretante.

O Analista é um TRANSEUNTE... Está apenas de passagem, quando convidado e agradecido em um compartilhar solitário sobre o Desejo do Outro, que resiste em não ser ouvido. Pois que o Desejo é assim, surdo para os ouvidos de que o produz - o Homem Psicanalítico - este Ser/Objeto da Psicanálise - crise representacional de nossos tempos. Um Transeunte, que entra e sai procurando não deixar vestígios de sua presença.

O ANALISTA é assim... Seu consultório se fazendo presente onde se fizer o Analista, às vezes para além das paredes... Em um mergulho na Cultura - em qualquer forma de representação do Real Humano que nos captura em Individualidades-Sujeito.

Um comentário:

  1. Me lembro de te ouvir falar: "Analistas são astronautas, vão conhecendo mundos outros" ...

    "Mas quem és tu que, avançando pela escuridão da noite descobre os meus mais secretos pensamentos?" (WILLIAM SHAKESPEARE)
    Cada sessão é um mundo, cada paciente um universo de representações ... E venha de onde vier, astronauta, estrangeiro, transeunte, analista ... Tantos Eus possíveis para tantos outros que se farão presentes. Abre-se espaço para o sintoma poder gritar, para o choro, para o riso, para os disfarces, para a construção e inúmeras desconstruções pela interpretação, vórtice, ruptura de campo ...

    Que ótimo poder viajar tendo a Psicanálise e o mundo dos possíveis como horizonte.
    Abraços

    ResponderExcluir