segunda-feira, 17 de abril de 2017

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: MALABARES




Ali, de repente, saltou à frente do carro o malabares.
Pintado de dourado, com roupa de palhaço.
Os sapatos, dava-se pra notar, estavam bem gastos de andar muito.

Sorriso no rosto, começa o malabarismo.
Um filho pro alto...
Uma esposa pro alto...
Um empreguinho pro alto...
Um segredo pro alto...
Uma amizade sincera pro alto...
O respeito pro alto...
Agora a auto estima a girar lá em cima...
Um projeto de futuro pro alto... Opa... Ahhh... Nasceu castrado o projeto... Foi pro chão...
Mas, mantendo o sorriso, apanha do chão com as costas doendo, e continua... continua...

Vai pro Grand Finale.
No último giro, peça por peça a se encaixar feito mágica.
Bravo... bravo... bravo...

Ahhh...
A última foi pro chão.
Decepção dentro do carro.

Talvez, o malabares queira ser espectador do olhar de decepção do show dentro do carro que o espia.
O sorriso continua no rosto pintado de dourado.

Agradece alegremente, saltitando pra calçada.
Perdeu o tempo do farol.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34).

sexta-feira, 17 de março de 2017

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: NESTE CORPO EM QUE HABITO



Ali, onde o Pai desautoriza a amplitude da experiência, resta o reino pequeno do corpo, habitado pelo infantil odioso.


"Que sabes fazer?"
De pé, braços estendidos para mim, golfando ofegante ódio em lágrimas, responde:
"Nada..."

Aparência impecável. Corpo bem esculpido.
Sem nunca ter sido empurrado para a experiência de viver a própria vida, se foi aprisionando na imagem corporal perfeita, misto de medo e acomodação.
Sim... Tem tudo o que quer.
Sim... Não tem a si.
Nas aventuras plásticas, quando na solidão se olha no espelho a refletir uma imagem sem alma, sente muito medo, muito ódio. Tristeza mesmo, que ocupa um vazio que o corpo não preenche.
O Espelho Meu responde: "És Nada..."

O corpo tornou-se um Dry Martini fascinante - uma base de ridículo com um fio certo de asco.

No fundo daquele corpo perfeição, se esconde, ali, quietinho e acanhado, o infantil que odeia, odeia, odeia...

Uma brecha possível se faz presente. No presente da sala de análise vai o ódio, explodindo, espalhando-se feito bactéria, a acordar o corpo para a vida própria da experiência sem medo.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34).

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

NOTÍCIAS DE LÍMBIA: TATUAGEM



"Quero ser uma arte viva e temporal, tal qual a própria Vida."

Se teu olhar tivesse investido meu corpo, poderíamos, minha pele que se fez por teu olhar, conquistar o Mundo. Mas me desprezaste em teu olhar, que só vê teu próprio umbigo... Olhar Absoluto...

Sem que tu soubesses, fostes buscar na Polinésia do Oceano Pacífico, o esboço que percorreria minha pele em traços vândalos a buscar um olhar... Teu olhar nos olhar dos outros... Eu sem ti... Absoluto.

Replico, portanto, sem o saber, é verdade, o destrutivo de teu olhar que habita minha pele.

Que eu exploda, então, no Instagram, sob os olhares que valorizam os traços e cores e absurdos e tudo que contornam minha pele e dão contorno ao que posso ser, idealizado no Nada de teu olhar vazio que, se tivesse investido minhas vísceras, ter-se-ia criado um Alexandre que embalaria o Mundo.

Mas teu olhar fez mundo só pra ti. 
Portanto, agora te digo:
Minha pele é meu cárcere e minha liberdade a construir para sempre meu Mundo que nunca existirá... Nunca... Sem teu olhar que faltou.


*DADOS CARTOGRÁFICOS: Límbia é Real sem existir em lugar algum. Faz-se justiça ao cartógrafo Fabio Herrmann que a define: “Isto é Límbia, terra da ficção verdadeira. Límbia não foi inventada. É a própria invenção.” HERRMANN, F. (2002) A Infância de Adão e Outras Ficções Freudianas. Casa do Psicólogo: São Paulo (p.34).